Adra News

“Já conseguimos restaurar 32 hectares de Mangal”, Diz Cristina Vontade, beneficiária do projecto ZIREF em Maganja da Costa

Cristina Vontade (50 anos de idade) mãe de 3 filhos, dos quais 2 meninas e 1 rapaz é residente no Bairro Nanene, Posto Administrativo Sede Bala, no distrito de Maganja da Costa, ela conta-nos a triste e feliz história da degradação e restauração do Mangal em Nanene, no distrito da Maganja da Costa:

“Nós os residentes da comunidade de Nanene é que destruímos o mangal para exploração das estacas, só que quando vimos que o mangal estava a desaparecer, tivemos uma iniciativa própria de reestabelecer o mangal, só que não tivemos sucesso, porque não tínhamos nenhuma técnica.” Explicou cristina.

As iniciativas do projecto ZIREF da ADRA Moçambique, lançado a setembro de 2021 e com enfoque para

dois distritos (Maganja da Costa e Mocuba) proporcionaram técnicas de uso, conservação e restauração de mangal de Nanane na Maganja da Costa. A componente de restauração do mangal, em particular, abrangeu um grupo de 80 voluntários, dois quais a Cristina é parte, e hoje testemunham positivamente.

“Nós passávamos mal com as cheias e ciclones. As nossas culturas apodreciam nas nossas machambas, porque quando a água invadisse, inundava tudo. Mas quando a ADRA chegou nos ensinou como preservar e plantar o mangal, e assim conseguimos restaurar quase 32 hectares e já terminamos uma parte, e agora queremos passar para a outra margem.” Sublinhou.

Cristina vê resultados e benefícios positivos dos esforços envidados pela ADRA junto com a comunidade, e refere que hoje ela sabe que o mangal serve de grande proteção contra os desastres naturais. Mais ainda, destaca que não permitirá que ninguém destrua a floresta do mangal.

“Os benefícios trazidos por este projecto é que hoje já sabemos como conservar e plantar o mangal. Antigamente cortávamos o mangal descontroladamente. Mas agora que restauramos, mesmo quando a chuva cai ela não nos abrange, porque

as árvores do mangal nos protegem.” Disse.
Dados os esforços contínuos, a Cristina sublinhou que apesar de se terem alcançados os 35.2 hectares previstos pelo projecto ZIREF, a comunidade de Nanene tenciona igualmente embarcar para a outra margem com vista a dar continuidade da ação, entretanto pedem apoio em transporte.

“Nós já terminamos de restaurar a boa parte prevista pelo projecto, no entanto temos a intenção de embarcar para a outra margem, só que nos falta transporte, por isso pedimos ajuda do projecto. Finalizou.

A ADRA Moçambique está a implementar o projecto ZIREF desde 15 de setembro de 2021. Faz parte deste programa a restauração de 35.2 hectares de

floresta do mangal de Nanene, no distrito de Maganja da Costa, dos quais 30h já foram restaurados, faltando apenas restaurar 5.2 hectares.

“Com a ajuda da ADRA, nós conseguimos restaurar o Mangal”, Diz Geraldo Julião, em Nanene, no distrito de Maganja da Costa

Geraldo Julião (49 anos de idade) é pai de 4 filhos, dos quais dois rapazes e duas meninas. Geraldo reside no Bairro de Nanene, na localidade de Cabuir, Posto Administrativo de Sede Bala, no distrito de Maganja da Costa. A sua única fonte de rendimento é agricultura de subsistência.

Geraldo é membro e beneficiário do projecto ZIREF desde o mês de outubro de 2021, e faz parte de um grupo de Escola na Machamba do Camponês (EMC) denominado “OPARELANA” que em português significa “estamos seguros”. Este beneficiário conta-nos a incrível história de restauração do mangal,

que a ADRA em coordenação com a comunidade do Bairro Nanene na Maganja da Costa, está a efetuar no âmbito do projecto ZIREF


“Antes da chegada da ADRA aqui na nossa localidade, nós usávamos o mangal de qualquer maneira e por isso ficamos propensos aos desastres naturais (…) cortávamos o mangal para produzirmos lenha e carvão, bem como para construção das nossas casas. Só que, aos poucos, fomos notando que o mangal estava a extinguir, e a água salgada começou a invadir as nossas casas e as nossas machambas.” Explicou Geraldo.

No meio da luta entre travar a fúria da água salgada e recuperar a floreta do mangal, estava um único objetivo: “defender-se de qualquer eventualidade climática”. Geraldo indica que para além do abate irracional das árvores do mangal perpetrado pela comunidade local de Nanene houve igualmente, um grupo de empresas que abateram o mangal para secagem de copra e produção de óleo e sabão feitos na base côco, criando assim, enormes aberturas sobre a floresta do mangal de Nanene e deixando a comunidade mais vulnerável.

“Não foi só a comunidade que destruiu o mangal, houve também algumas empresas que entraram aqui na localidade e abateram o mangal para secagem de copra, e daí, o mangal ficou completamente destruído.

E por consequência disso, ficamos a sofrer por invasão da água salgada, ciclones e tantos outros desastres naturais.” Detalhou.

Este beneficiário destaca que com o apoio da ADRA e com os esforços conjuntos da comunidade, foi possível recuperar uma área de 30 hectares da floresta do mangal, em Nanene, e hoje, a comunidade testemunha ser resiliente às mudanças climáticas.

“Quando a ADRA chegou em 2021, treinou-nos em técnicas de uso e plantio do mangal. A partir daí, começamos a produzir mudas de mangal em estufa, e transplantamos as árvores em quase todas as áreas devastadas, e até aqui conseguimos restaurar 30 hectares e a maior parte das árvores cresceram. Hoje estamos mais fortes, inclusive este último ciclone não nos atingiu.” Destacou.

A ADRA Moçambique, através do projecto ZIREF, financiado pela Foodgrains Bank, encontra-se a implementar o projecto ZIREF desde 15 de setembro de 2021, visando 1,250 pequenos agricultores locais dos

distritos de Mocuba e Maganja da Costa. Faz parte deste programa a restauração de 35.2 hectares de floresta do mangal de Nanene, no distrito de Maganja da Costa, dos quais 30h já foram restaurados, faltando apenas restaurar 5.2 hectares.

Quiosques de Água da ADRA Passam à Gestão do Município da Cidade de Mocuba, na Zambézia

Trata-se de três unidades de abastecimento de água construídos em 2017, no âmbito da implementação do projecto Quiosques de Água da iniciativa da ADRA. Essas fontes de abastecimento da água localizam-se nos bairros 25 de Setembro, CFM e Samora Machel nos arredores da Cidade de Mocuba, na Zambézia.

Volvidos seis anos de implementação do projecto Quiosques de Água movidos a energia solar, a ADRA Moçambique procedeu a 21 de setembro findo a conclusão do projecto bem como a entrega oficial dos Quiosques à gestão das autoridades municipais da cidade de Mocuba.

A cerimónia de entrega decorreu no quiosque do Bairro 25 de Setembro, na qual

na qual estiveram presentes as autoridades do Governo e de outras individualidades que incluem o Presidente do Município de Mocuba, o Director do Serviço Distrital de Planeamento e Infra-Estruturas (SDPI), e do presidente da União Missão Adventista e da Missão norte da Igreja Adventista bem como o Director Nacional da ADRA entre outros técnicos.

Na ocasião, o presidente da União Missão Adventista de Moçambique, Alfredo Chilundo, em representação do Conselho da Administração da ADRA Moçambique, procedeu a entrega oficial dos três sistemas de abastecimento de água potável às autoridades municipais da cidade de Mocuba, e destacou que:

“O objectivo dos quiosques de água estabelecidos pela ADRA para serviços periurbanos é de aumentar o fornecimento sustentável de água segura e potável, bem como a prestação de serviços de Recargaki e a provisão de produtos de higiene às comunidades da cidade de Mocuba, especificamente nos bairros de CFM, Samora Machel e 25 de Setembro. Portanto, Gostaríamos de agradecer a todos os nossos principais parceiros por terem identificado voluntários para constituírem os comités de gestão dos quiosques” sublinhou Chilundo.

Por seu turno, o Presidente do Município de Mocuba, Geraldo Sotomane, reiterou que o Projecto dos Quiosques de Água é fruto das iniciativas

do conselho autárquico de Mocuba em parceria com a ADRA Moçambique, a qual tem proporcionado boas práticas de higiene individual e colectiva no seio das comunidades e sublinhou que:
"Os pontos de água que hoje testemunhamos a sua entrega têm criado um ambiente livre de doenças de origem hídrica as quais são causadas pelo consumo de água sem qualidade, e constituindo uma causa de morte de pessoas, principalmente crianças no nosso país e, em particular, na cidade de Mocuba. Portanto, apelamos a todos os residentes dos bairros visados para o uso

correcto e racional dessas infra-estuturas, garantindo a sua conservação e contribuindo para o desenvolvimento do nosso município” apelou Sotomane.

Na mesma ocasião, o Director Nacional da ADRA Moçambique, David Masinde, apontou que o Município de Mocuba e a Igreja Adventista de Sétimo Dia têm sido fortes aliados na implementação dos projectos da ADRA naquela urbe, e apelou para uma forte colaboração conjunta e contínua com vista ao alcance de um objectivo comum.

Num outro momento, o Director do Serviço Distrital de Planeamento e Infra-Estruturas de Mocuba (SDPI), Fernando Alilo, disse à nossa entrevista que este projecto de pequenos sistemas de abastecimento de água veio impulsionar o acesso a água potável para os munícipes de Mocuba, e referiu que:

“Sabemos que o acesso à água na nossa cidade ainda está longe de atingir a nossa satisfação que é de garantir que toda população tenha acesso a este líquido precioso.

No entanto, com estas parcerias criadas com a ADRA e outros parceiros, o governo vai gradualmente responder àquilo que são as necessidades da nossa população. Esta acção deve ser acompanhada com a prática de higiene e saneamento de forma que as comunidades tenham saúde” anotou, Alilo.

Num outro desenvolvimento, Alilo enalteceu a iniciativa tendo dito que “a gestão destes sistemas está agora entregue a população, e temos conhecimentos de que estes indivíduos selecionados para fazer a gestão dos Quiosques foram treinadas e capacitadas pela ADRA. Portanto, estão dotadas de conhecimentos que irão assegurar que haja uma gestão financeira sustentável para garantir a sustentabilidade dos Quiosques”, concluiu.

Para além da assinatura do memorando de entendimento entre as partes (ADRA, Igreja Adventistas do Sétimo Dia e o Município de Mocuba), na ocasião, a ADRA procedeu igualmente a entrega de certificados de participação à 14 operadores dos Quiosques de Água capacitados por esta ONG, bem como a entrega de 9 manuais de boas práticas de higiene para os novos operadores dos quiosques com vista a disseminação de mensagens de higiene e saneamento do meio.

Com um financiamento de 9.000. 000 Dólares Norte-Americanos, os Quiosques de Água ora em funcionamento têm a capacidade de fornecer, diariamente, mais de 30. 000 litros de água potável. Até aqui, os essas fontenárias têm estado a beneficiar mais de 5.000 habitantes dos bairros de CFM, Samora Machel e 25 de Setembro na cidade de Mocuba.

Governo Alemão Financia Projecto de Reforço de Resposta à Crise Humanitária na Província de Cabo Delgado

Trata-se do projecto de promoção da coexistência pacífica, desenvolvimento da gestão local de risco de desastres e reforço dos meios de subsistência para pequenos agricultores (deslocados internos e as comunidades de acolhimento na província de Cabo Delgado).

Baptizado com o nome “Ukhaliherana”, uma expressão local que em português significa “ajuda mútua”, o projeto visa reforçar a resposta à crise humanitária na província de Cabo Delgado, através da assistência transitória de apoio dos meios de subsistência com vista a garantir meios de vida sustentáveis, reforçar a segurança alimentar, resiliência e equidade entre os deslocados internos e as comunidades de acolhimento.

O projecto está a ser implementado nos distritos de Montepuez e Metuge na província de Cabo Delgado, através de um consórcio constituído por quatro organizações, nomeadamente: ADRA Alemanha (organização líder do consórcio), ADRA Moçambique (Coordenação e parceiro de implementação), Fundação SEPPA, e o Conselho Islâmico de Moçambique,

num horizonte temporal de quatro anos (novembro de 2022 – julho de 2026).

Enquanto a ADRA está focada na formação de pequenos agricultores locais em matérias de agricultura e pecuária, poupança e crédito rotativo (PCR), e redução de riscos e desastres (RRD); a Fundação SEPPA centra-se nas componentes de aquacultura, reflorestamento e gestão de recursos naturais, comités e mediação e distribuição de alimentos; e Por fim, o Conselho Islâmico ocupa-se com as actividades de desenvolvimento da coesão social e construção de paz nas comunidades abrangidas, nos distritos de Montepuez e Metuge, em Cabo Delgado.

Em entrevista com os beneficiários do projecto nos dois distritos abrangidos, os mesmos deixaram ficar os seus níveis de satisfação com as intervenções do projecto, embora as actividades deste tenham recentemente iniciado no final de novembro 2022, no entanto não deixaram de apontar os desafios por si encarados, propostas de solução, bem como suas expectativas em relação ao impacto do projecto nas suas comunidades.

Alcinda Monteiro, residente na comunidade de Nlucune, posto administrativo de Mieze, no distrito de Metuge, aponta que com as intervenções do projecto Ukhaliherana, a sua comunidade tem observado mudanças significativas no que diz respeito a melhoria da dieta alimentar e destacou o seguinte:

"Agradeço bastante a este projecto porque há muita coisa boa que estamos a aprender. A nossa dieta alimentar

melhorou significativamente. Hoje, eu sei preparar papas nutritivas com base nos produtos que produzimos das nossas machambas. Já sei preparar doce de abóbora para as nossas crianças, e isso nos tem ajudado no combate à desnutrição crónica. É certo que temos muita coisa em falta, tal é o caso do côco, mas a batata por exemplo, conseguimos produzir nas nossas machambas e ela é bastante nutritiva.” Enfatizou.

Paulino Alexandre, pequeno agricultor e beneficiário do projecto no distrito de Montepuez, refere que o projecto Ukhaliherana já está a alavancar a sua vida e destaca que: “uma das componentes que estão a melhorar a minha vida neste projecto é a componente de poupança e crédito. Quando poupo o meu dinheiro, tenho esperança de movimentá-lo. Eu sou agricultor, e quando necessito de insumos agrícolas tais como sementes, fertilizantes ou insecticidas, peço empréstimo no grupo, e quando chega a fase de colheita vendo os meus productos e faço a devolução do valor. Portanto, o projecto está

a melhorar a minha vida.” disse.

Embora em fase inicial de implementação, os beneficiários do projecto Ukhaliherana mostram-se bastante entusiasmados com o aumento da capacidade e o desejo de expansão é ainda maior.

Silvério Manuel, também camponês e beneficiário do projecto Ukhaliherana no distrito de Montepuez, afirma que a pesar de as actividades de poupança e crédito rotativo (PCR) serem uma componente bastante sustentável, a falta de equipamentos e novas tecnologias para optimizar o cultivo tem sido uma das suas maiores barreiras como agricultor e pode impactar a próxima campanha agrícola.

As actividades de poupança e crédito estão a ser muito benéficas para nós, entretanto, lamentamos a falta de equipamentos e novas tecnologias de produção mecanizada. Temos falta de material para produzir em larga escala. A nossa produção é em escalas muito reduzidas, que só serve para o nosso auto-sustento, e isso não nos permite crescer. Acreditamos que se tivéssemos motobombas e tratores, produziríamos em grandes escalas e poderíamos exportar os nossos productos.” Disse ansiosamente.

A aquacultura é uma das componentes desenvolvidas pela Fundação SEPPA ao longo deste projecto. Uma das estratégias desenhadas é a formação dos pescadores/as em matérias de aquacultura

de água doce; disponibilização de equipamentos de pesca adequados aos pescadores/as; e espera-se a participação activa destes em cooperativas organizadas e inclusivas, bem como participação em estruturas de governação.

Ao longo dos quatro anos de implementação, o projecto irá abranger 7.000 agregados familiares, dos quais 3.500 no distrito de Montepuez e 3.500 no distrito de Metuge, o equivalente a 35.000 beneficiários directos. Deste grupo 60% são mulheres.
Este projecto é financiado pelo governo Alemão, através do Ministério Federal da Cooperação Económica e Desenvolvimento (BMZ), com um orçamento de € 2,400.000 (dois milhões e quatrocentos mil euros).

PROJECTO MSRHP GRADUA RAPARIGAS E ADOLESCENTES EM MATÉRIAS DE CORTE E COSTURA NO DISTRITO DE MATUTUÍNE, PROVÍNCIA DE MAPUTO

O Projecto Saúde Sexual e Reproductiva de Matutuíne (MSRP), que está a ser implementado pela ADRA Moçambique em parceria com o governo de Moçambique, através dos fundos da ADRA Áustria – Cidade de Viena, graduou esta sexta-feira, 26, do mês em curso, cerca de 19 raparigas do Clube Sekeleka Jovem da localidade de Zitundo, no distrito de Matutuíne, em matérias de corte e costura, como ferramenta básica para o arranque de suas actividades económicas.

A cerimónia contou com a presença de Sua Excelentíssima Administradora do distrito de Matutuíne, Juliana Cornélio Mwitu, que no prelúdio de sua intervenção, congratulou as graduadas e reiterou para um esforço contínuo das raparigas graduadas pela ADRA na localidade de Zitundo com vista o garantir uma geração de renda auto-sustentável e redução dos altos índices de pobreza e vulnerabilidade a nível do distrito de Matutuíne.

“Nós como governo do distrito de Matutuíne estamos muitíssimos satisfeitos por ver que, as nossas raparigas já têm as ferramentas básicas para criação do autoemprego.” disse e acrescentou “Queremos agradecer os esforços empreendidos pela ADRA Moçambique e seus parceiros. Conseguimos ver pelas amostras de peças de roupas feitas, que as nossas raparigas já estão preparadas para o mercado.” Continuou “queremos, igualmente, apelar aos pais e encarregados de educação para incentivarem as vossas filhas a nunca desistir dos seus sonhos, hoje elas já podem coser uniformes e vender para as escolas aqui a nível do distrito e isso vai beneficiar a elas mesmas, isso permitirá que elas continuem com os estudos até o ensino superior.” Apelou.

Por seu turno, Euclides Diogo Zavala, Chefe do Posto Administrativo de Zitundo, no distrito de Matutuíne, enfatizou o empenho das raparigas, nas actividades para as quais foram

graduadas e apelou para um esforço coletivo e individual das raparigas do clube por forma a tornar o seu negócio lucrativo e cada vez mais sustentável.

Queremos saudar e felicitar as nossas raparigas de Zitundo

por terem abraçado este projecto da ADRA e por terem conseguido chegar a esta fase. Hoje vocês já estão preparadas, mas issonão é tudo. Há agora, a necessidade de continuarem, cada uma de vocês, a envidar esforços

para manter o vosso clube ativo e tornarem o vosso negócio sustentável.” Reiterou.

Do lado da comunidade, o Régulo do Posto Administrativo de Zitundo, Francisco Tembe, disse estar emocionado com esta iniciativa porque segundo ele, esta iniciativa veio para reduzir os vários índices de vulnerabilidade das raparigas no distrito de Matutuíne.

“Não tenho palavras suficientes para expressar, o meu coração está cheio de gratidão” disse emocionado, e continuou “Eu sou pai de uma das beneficiárias deste projecto, e tenho notado mudanças no seu carácter desde que ela iniciou a fazer parte desta iniciativa.Inicialmente, a minha filha tinha hábitos de passar noites fora de casa, mas agora ela não sai durante a noite, ela estuda e está cada vez mais focada. Ela já sabe coser roupas, adquiriu técnicas para ganhar dinheiro e isso é graças a ADRA.”

Isabel Armando Tembe, uma das graduadas e beneficiarias do projecto MSRHP no distrito de Matutuíne diz estar feliz por fazer parte desta iniciativa e afirma que já esta a aplicar os conhecimentos adquiridos ao longo do curso.

“Adquiri vários conhecimentos neste projecto

.Quando entramos, eu não sabia nada sobre a saúde sexual e reprodutiva, mas hoje falo com conhecimento da causa e tenho partilhado isso com as minhas colegas da escola.” Acrescentou “Já sabemos coser roupas com máquinas e, eu, pessoalmente, tenho envidado esforços pessoais para nunca perder a prática, parte dos uniformes que temos feito vendemos para os nossos vizinhos e eles nos têm dado apoio.” Disse.

Apontar que este projecto trianual (2021-2024) tem como objectivo principal contribuir para o acesso aos serviços básicos de saúde sexual e reprodutiva para raparigas e mulheres jovens, bem como estabelecer centros auto-sustentáveis para estes, com um modelo de negócio sustentável e assegurar a sua capacidade de obtenção de meios de vida sustentáveis através de actividades de geração de renda formais.

O projecto está em curso desde 1 de novembro de 2021 e termina a 30 de outubro de 2024 e conta com um total de 75 beneficiárias das quais 25 na localidade de Zitundo (clube Sekeleka Jovem); 25 na localidade de Madjuva (Clube Kndlemuka Madjuva) e 25 na localidade de Ponta de Ouro (Clube Raparigas da Ponta.

Lideranças Comunitárias Prontificam-se em Manter Paz e Igualdade de Género em Sofala

Líderes comunitários dos distritos de Gorongosa, Machanga, Chibabava, Chemba, Cheringoma e Marínguè, na província de Sofala, dizem estar prontos para manter a paz e igualdade de género nas suas comunidades. A garantia foi dada recentemente, no âmbito dos encontros de reflexão sobre o papel da mulher na participação e tomada de decisão a nível comunitário, promovidos pelo Programa “Desenvolvimento Local para a Consolidação da Paz em Moçambique (DELPAZ).”

Líderes comunitários ouvidos pelo Notícias asseguraram que há necessidade de participação da mulher em processos de tomada de decisão, como forma de contribuírem para o desenvolvimento económico local inclusivo, equitativo, pacífico, verde e resiliente. “As mulheres devem, através da facilitação do diálogo e inclusão, participar em actividades governamentais de planificação económica e investimento, atenuação de conflitos locais e construção da paz, promoção do acesso equitativo e igualitário às oportunidades”, defendeu, Mateus Catique, líder comunitário de Mussicadzi, no distrito de Gorongosa e acrescentou que “as mulheres têm direito a protecção e justiça contra todo tipo de violência.”

A líder comunitária do povoado de Nhango, na localidade de Panja, distrito de Chibabava, Ângela Mateus Nhome, defendeu que a mulher deve participar em todos os processos de tomada de decisão da vida das comunidades porque “quando numa comunidade não há hospital, a mulher é a mais afectada, uma vez que, ela é que desloca-se ao posto de saúde com as crianças, percorrendo enormes distâncias”, e acrescenta: “com esse encontro organizado pelo DELPAZ - Sofala, voltarei à minha comunidade com informação mais sólida e vou garantir que mais mulheres saibam dos seus direitos e consequentemente, actuarem em prol do seu bem estar”, prometeu.

A voz da Ângela encontra eco nas palavras de Moisés Magara, líder comunitário da localidade de Mucheve, que não duvida que todos devem influenciar para que a mulher, tal como o homem tenha lugar cativo na carteira de uma sala de aulas, porque “todos gozam dos mesmos direitos e oportunidades, e é preciso que se criem espaços para que este tipo de debates aconteça nas comunidades. Esse encontro enriqueceu os meus conhecimentos e irei melhorar ainda mais o trabalho que tenho feito na comunidade”, assegurou Magara.

Por seu turno a rainha do povoado de Tazaronda, no distrito de Gorongosa, Cinália Gerente, apelou por mudanças profundas na comunidade e aponta que “quando clamamos por espaços de diálogo, acham que estamos a inventar a roda. Espero que este encontro de reflexão abra a mente dos homens”, e acrescenta que “quando, por exemplo, uma mulher é violentada, nós é que fazemos o reconhecimento do caso. Quando há violação de uma menor, comunicamos o caso às autoridades da vila-sede de Gorongosa. Isso faz com que os homens sintam o nosso poder como influenciadoras na tomada de decisão”.

Por outro lado, o chefe da povoação de Domba, Posto Administrativo de Nhamaze, na localidade de Canda, de nome João Paulo, defendeu que a mulher é uma grande contribuinte nos vários assuntos. “Tudo está a mudar para boa convivência entre homens e mulheres. Fazermos de igual. Hoje, as mulheres já andam de bicicleta, [culturalmente não acontecia, era só para homens], naquela região. Já temos enfermeiras, professoras, cheio de alunas”, exemplificou.

Eufrásio José, régulo de Chimbue, Posto Administrativo de Chiramba, no distrito de Chemba, participando num dos encontros de reflexão sobre o papel da mulher na participação

e tomada de decisão a nível comunitário local, referiu que, a inclusão da mulher nos processos decisórios há muito deixou de ser novidade em Chimbue, uma vez que, “nós temos incluído as mulheres em todos processos de tomada de decisão. Em cada reunião consultiva que a gente faz, a mulher está lá e tem direito a palavra”.

Eufrásio José assegurou que, depois do encontro de reflexão promovido pelo DELPAZ - Sofala, vai sensibilizar a comunidade a incluir a mulher nos processos de decisão: “Prometo promover a igualdade de género em todas as reuniões que for a fazer ao nível comunitário”.

Os encontros de reflexão sobre o papel da mulher na participação e tomada de decisão a nível comunitário, promovidos pelo DELPAZ - Sofala visavam entre outros objectivos, colher experiências com líderes comunitários, sobre inclusão da mulher em vários contextos de desenvolvimento comunitário e reflexão da sua importância na tomada de decisão; analisar através das opiniões dos líderes sobre

a importância de envolver as mulheres na tomada de decisão; fazer demonstrações claras do papel da mulher para o desenvolvimento comunitário e; apresentar o compromisso que o governo de Moçambique tem, para garantir redução de todas as formas de violência contra a mulher. DELPAZ é um programa do Governo de Moçambique co-financiado pela União Europeia e apoiado (em Sofala) pela Cooperação Austríaca para o Desenvolvimento, em 14 distritos mais afectados pelo conflito, dos quais seis (6) na província de Sofala, cinco (5) na província de Manica e em três (3) distritos da província de Tete.

DELPAZ é implementada pelo Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Capital (UNCDF) e seus parceiros em Sofala, Manica e Tete; Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS) e seus parceiros em Manica e Tete; a Agência Austríaca para o Desenvolvimento (ADA) e seus parceiros em Sofala: ADRA/Livaningo e Young Africa e o Conselho Executivo Provincial de Sofala (CEPS).

PROJECTO AVIR PARTICIPA DA FEIRA DE AGRONEGÓCIOS NA CIDADE DE QUELIMANE, PROVÍNCA DA ZAMBÉZIA

Trata-se do projecto Avançando a Inclusão e Resiliência na Província da Zambézia – AVIR, o qual está a ser implementando pela ADRA, Livaningo e NLR, nos distritos de Mocuba, Ile e Lugela, na província da Zambézia, que nesta segunda-feira,15, do corrente mês, participou da feira de agronegócios, no quadro da realização da XII reunião Nacional das Autoridades Municipais, que teve lugar na cidade de Quelimane, presidida por Sua Excelência o Presidente da República de Moçambique, Filipe Jacinto Nyusi.

O evento decorre sob o lema: “Urbanização: uma Prioridade para o Desenvolvimento Autárquico Sustentável”, e como forma de potencializar a promoção da actividade agrícola nacional e provincial, em particular, o governo provincial da Zambézia incentivou a participação e representação de todos os distritos da província, com vista a demonstrar o seu potencial agrícola e promover a troca de experiência entre os produtores rurais.

A ADRA Moçambique, em particular, através dos beneficiários do projecto AVIR, e em representação do distrito de Lugela, promoveu a exposição e comercialização de tubérculos (mandioca, inhame (madumbe) e batata-doce); cereais (milho); leguminosas (gergelim e amendoim); frutas (banana, laranja e limão), incluindo a cana-de-açúcar e abóbora.

O Presidente da República, por sua vez, destacou a importância de se prover assistência técnica aos produtores locais, apontando que não se deve ignorar que a maior fonte de renda familiar é baseada na agricultura.

Apontar que o objectivo do projecto AVIR é fortalecer a capacidade das mulheres, jovens e pessoas com deficiência, reivindicar e influenciar a prestação de serviços públicos locais e assegurar que as mesmas sejam respeitadas, valorizadas, visíveis e activamente envolvidas em processos

sociais e económicos e representadas em espaços públicos de tomada de decisão a nível distrital, provincial e nacional.

Esta publicação foi produzida com o apoio da União Europeia

e da Agência Austríaca para o Desenvolvimento. O conteúdo desta publicação é de responsabilidade exclusiva da ADRA e não pode, de forma alguma, ser considerado como reflexo das opiniões da União Europeia e da ADA.

Clubes de Raparigas do Distrito de Matutuíne Beneficiam de Kits de Treinamentos e de Arranque de Actividades Económicas, na Província de Maputo

Trata-se de três clubes de raparigas das localidades de Zitundo, Madjuva e Ponta de Ouro, no distrito de Matutuíne, os quais foram estabelecidos no âmbito do projecto Saúde Sexual e Reprodutiva de Matutuíne (MSRHP), o qual é implementado pela ADRA Moçambique, que entre os dias 20 a 21 do corrente mês, beneficiaram de kits de higiene, de treinamento e de arranque de actividades de económicas.
A todo, 75 raparigas foram beneficiadas, das quais 25 na localidade de Zitundo – Clube Sekeleka Jovem;

25 na localidade de Madjuva – Clube Kendlemuka Madjuva; e 25 na localidade de Ponta de Ouro – Clube Raparigas da Ponta.

entre eles, o Clube Sekeleka Jovem, da localidade Zitundo, beneficiou de 3 máquinas de costura, 3 ferros de engomar, 8 unidades de óleo de máquina, 18 fitas métricas, 26 rolos de linha, 4 caixas de giz, 15 caixas de alfinetes, 15 intertelas, 7 rolos de tecidos, 12 tesouras, 300 zipes, 20 caixas de agulhas, 400 botões, 25 capolanas, 5 embalagens de pensos higiénicos, 2 caixas de detergente em pó, uma caixa de preservativos, 6 réguas e 1 pacote de marcadores.

Já o Clube Kendlemuka Madjuva, da localidade de Madjuva, beneficiou de 5 embalagens de pensos higiénicos, 1 caixa de preservativos, 10 embalagens de papel higiénico, 5 caixas de detergente em pó, duas caixas de pintos de corte para criação (100 unidades em cada caixa), 10 sacos de ração A1, 10 sacos de ração A2, duas gaiolas, 4 comedores, 4 bebedores, 20 sacos de serradura, 3 sacos de cimento, e kits de vitaminas e antibióticos para as crias.

Por fim o Clube Raparigas da Ponta, da localidade de ponta de Ouro beneficiou de 2 fardos de roupa usada para venda, 30 mucumes, 150 lenços, 250 capolanas,

10 embalagens de papel higiénico, 2 embalagens de sabão líquido, 6 caixas de sabão-mainato, 5 caixas de detergente em pó, uma caixa de preservativos, e 5 embalagens de pensos higiénicos.

Após meses de treinamentos em matérias de Saúde Sexual Reprodutiva, liderança empresarial e formação técnico-vocacional em diversas áreas do saber, as raparigas dos três clubes estabelecidos pela ADRA, em Matutuíne, dizem se sentir devidamente capacitadas e preparadas para enfrentar os desafios e a competitividade do mercado de negócio e de trabalho.

Estamos muito felizes e impressionadas ao mesmo tempo, porque conseguimos notar, através do apoio da ADRA, que é possível ocupar a rapariga e vencer

a problemática do desemprego, pois entendemos que um negócio bem gerido não só melhorará as nossas rendas, mas sim empregará outras adolescente. Portanto, queremos aproveitar a ocasião para pedir mais projetos para desenvolver o nosso grupo e ocupar mais adolescentes, pois o mercado de emprego não é insuficiente para satisfazer a demanda, muito obrigada.” Afirmou Sandra José Machava, beneficiária do projecto MSRHP, em Matutuíne.

Por sua vez Euclides Zavala, chefe da localidade de Zitundo, endereçou agradecimentos à ADRA Moçambique pelas intervenções feitas a nível do distrito de Matutuíne, e apelou à comunidade local para o bom uso e proveito desta assistência.
“Nós como governo testemunhamos as intervenções que a ADRA fez nas nossas comunidades, e como governo, esta é uma das formas que temos para intervir ma comunidade e apoiar os que precisam, é através de parcerias com Organizações como a ADRA e outras.

"Neste momento, queremos apelar as nossas raparigas de Zitundo para que

façam o uso deste negócio de forma sustentável. Queremos apelar para não tenham preça em obter os lucros, mas para que consigamos tornar as nossas actividades sustentáveis para o próprio desenvolvimento das raparigas.” Disse.

Por outro lado, Senhora Maria Salomão Matse, em representação da comunidade de Zitundo, e por consciência, mãe de umas beneficiárias do projecto MSRHP em Matutuíne, aponta que este gesto da ADRA irá reduzir a vulnerabilidade das raparigas daquela região, e fara com muitas párem de se envolver em relacionamentos precoces.

“Nós da comunidade de Zitundo, só temos a agradecer imensamente à ADRA por poder nos ajudar a capacitar as nossas filhas. Agradecemos porque algumas dessas adolescentes já finalizaram o seu ensino secundário, portanto, o facto de elas poderem ter sido capacitadas a desenvolver seus próprios negócios irá reduzir a sua vulnerabilidade e fará com que elas reduzam o envolvimento precoce em relacionamentos com homens casados, muito obrigada.”

Em face do cenário actual, com os kits distribuídos pela ADRA Moçambique, as raparigas dos três Clubes do MSRHP, em Matutuíne, poderão responder aos actuais desafios económicos, empoderamento da rapariga e redução da sua vulnerabilidade, e consequente reeducação de riscos de infeções por HIV, a nível do distrito de Matutuíne.

ADRA APOIA VÍTIMAS DAS CHEIAS NO DISTRITO DE BOANE

Trata-se de mais de 176 famílias da localidade de Gueguegue, no distrito de Boane, que no último sábado, 18, do corrente mês, beneficiaram da assistência alimentar da ADRA no quadro de resposta às emergências.

Numa data em que a Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) comemora o Dia Global da Juventude Adventista, esta intervenção foi merecedora de um momento especial, e solene, precedido de orações e cânticos em gratidão ao Criador (Deus).

Marcaram presença neste evento, vários Jovens Adventistas a nível da província de Maputo; representantes da União Missão Moçambicana

da Igreja Adventista do Sétimo Dia; Presidente da Missão-Sul, Dom Tomo; pastores e líderes representantes de vários departamentos da IASD; para além da representante de sua Excelentíssima Administradora do distrito de Boane, bem como a Direcção e equipe técnica da ADRA Moçambique.

Fazem parte desta assistência, um kit de produtos alimentares não perecíveis, composto por 50 kg de arroz; 10 kg de feijão; 4 litros de óleo; e 1kg de sal, os quais foram distribuídos para cada família.

Apontar que esta intervenção se enquadra no Plano Nacional de Gestão de Emergências (NEMP) da ADRA Moçambique.

CICLONE FREDDY FAZ 53 ÓBITOS E DEIXA MAIS DE 211,784 PESSOAS COMPLETAMENTE DESABRIGADAS, NA PROVÍNCIA DA ZAMBÉZIA

O Ciclone Tropical Freddy, que pela segunda vez entrou no canal de Moçambique, no último Domingo, 12, atingindo a zona centro do país, fez 53 óbitos e deixou mais de 211,784 pessoas desabrigadas na província da Zambézia.

Do total dos vinte distritos atingidos pelo Ciclone, os distritos de Namacurra e Maganja da Costa são tidos como os mais afetados, com um total de 78, 395; e 65, 875 pessoas afetadas respetivamente.
Segundo dados partilhados pelo Instituto Nacional de Gestão de Desastres (INGD), mais de 18,174 casas ficaram totalmente destruídas; e 22,978 parcialmente destruídas face a ocorrência do fenómeno.

Na educação, mais de 1,468

salas de aula foram completamente destruídas, resultante da destruição de mais 540 escolas, e afetando cerca de 115, 871 alunos e 2,325 professores.

O sector de Saúde é igualmente um dos mais afetados, com 50 Unidades Sanitárias afetadas, o que pode comprometer o alastramento de doenças hídricas, tais como a Cólera, Amebíase, entre outras. Na agricultura, cerca de 191, 562ha de áreas de produção foram afetados e maisv20,927 ha com culturas perdidas.

A ADRA Moçambique, activou o seu Plano Nacional de Gestão de Emergência (NEMP) para aliviar os impactos do fenómeno, na província da Zambézia.

Rastos do Ciclone Freddy: Família encontra-se sem teto em Munawalate, distrito de Vilanculos

Senhor Armando Johane Comé, de 42 anos de idade, é um dos afectados pela Tempestade Tropical Freddy, na localidade de Munawalate, distrito de Vilanculos, em Inhambane, "eu perdi tudo!"

O senhor Armando Johane Comé é residente na localidade de Munawalate, com um agregado composto por cinco pessoas, das quais ele (chefe de família), sua esposa e seus três filhos, dos quais um rapaz e duas meninas. Armando fala-nos do drama vivido por si e sua família na madrugada do dia 25 de fevereiro, devido a passagem do Ciclone Tropical Freddy.

"Foi por volta da zero até uma hora de madrugada, do dia 25 de fevereiro, que de repente houve uma chuva muito forte acompanhada de trovoadas e relâmpagos, e a nossa casa começou a ter infiltrações, de seguida uma

grande ventania, a nossa casa não resistiu, as chapas dispersaram-se, e toda a casa caiu!"
Senhor Armando conta-nos que logo após o desabamento de sua casa, em meio a madrugada, a sua maior preocupação foi tentar resgatar as crianças que se encontravam a dormir no interior de uma outra casa, “Graças a Deus conseguimos escapar vivos, ninguém ficou ferido e ninguém morreu. Logo que vimos a casa em baixo, corri para resgatar as crianças que se encontravam a dormir numa outra casa."

Duas casas feitas de material local não resistiram a fúria do Ciclone Freddy, o Senhor Armando foi obrigado a abrigar sua família num dos centros de acolhimento na localidade de Munawalate, e hoje ainda sem teto para abrigar sua família, tenta construir uma cabana para se albergar.

"Naquela madrugada, corri para abrigar as minhas crianças e toda minha família na casa do meu irmão, mas do momento toda minha família, juntamente com a minha esposa encontram-se abrigados

no centro de acolhimento de Munawalete, e eu durmo aqui, para poder controlar os nossos bens! Enquanto tento construir uma casinha ao lado para poder dormir."

ADRA Está a Restaurar 35.17 hectares de Mangais no Distrito de Maganja da Costa, Província da Zambézia no Âmbtio do projecto ZIREF

Nesta primeira fase, está em curso o processo de replantio de 1.7 hecates de 1000 mudas de mangais na comunidade de Nanene, Posto Administrativo de Maganja-Sede, e espera-se que, até ao fim do projecto, 35.17 hectares de 19,600 mudas sejam restaurados. As principais espécies a ser replantadas são: Ceriops tagal, Bruguiera gymnorhiza, Heritiera littoralis e Avicennia marina.

Esta acção resulta do facto de que

muitos estudos apontam para extinção do ecossistema florestal costeiro em Moçambique. E, alguns dos principais factores que concorrem para essa ameaça de extinção, segundo o Relatório de Governação Ambiental 2016, são: a) a expansão urbana; b) procura de lenha, carvão e estacas; c) contaminação dos estuários por resíduos líquidos; d) para além dos fenómenos naturais que por sua vez exercem um outro tipo de pressão sobre aqueles ecossistemas costeiros.

Segundo o ambientalista da ADRA Moçambique, Alexandre Fumo, foram identificadas quatro espécies de mangais nas localidades de Nanene e Comlene, na Maganja da Costa cuja maior parte são abatidas pelas comunidades locais para fins domésticos.

Até aqui identificamos quatro espécies de plantas de mangais cujos nomes são: Ceriops tagal, Bruguiera gymnorhiza, Heritiera littoralis e Avicennia marina; nas áreas observadas, a espécie Avicennia marina foi a mais dominante. Vestígios mostram que as comunidades locais fazem o abate dessas plantas para fins domésticos tais como a exploração de estacas para construção de casas, produção de lenha e carvão para consumo doméstico e venda, para além de uso medicinais.”

É neste contexto, que no âmbito do projecto Zambézia Inclusive and Resilient Food

Security Project (ZIREF), em curso nos distritos de Maganja da Costa e Mocuba, a ADRA está a desenvolver um plano comunitário conjunto e participativo com vista a recuperação e gestão das árvores de mangais, através de sensibilização das comunidades, desencorajamento para o não abate e destruição das florestas dos mangais bem como o seu replantio.

“A nossa principal prioridade neste momento é sensibilizar as comunidades e desencorajá-las a não fazerem abate de ecossistemas costeiros bem como encorajá-las a fazer a sua restauração, pois o abate traz consequências e danos ambientais graves, para além de deixar as próprias comunidades cada vez mais propensas a inundações e mais vulneráveis às mudanças climáticas.” sublinhou o técnico da ADRA.

Para Fumo, além de evidências de corte das plantas pelas comunidades foi possível observar a degradação natural do ecossistema. Esta degradação deve-se à acumulação de factores como mudanças hidrológicas, falta de conectividade e resiliência após a invasão antropogénica, ventos e chuvas mais intensas resultantes das mudanças climáticas, entre outros factores.

De acordo com o técnico, para esta intervenção da ADRA,

já foram efectuados encontros e simulações com oitenta líderes comunitários membros dos Comités de Gestão dos Recursos Naturais (CGRN ) e dos Comités de Redução de Riscos (CRR ); e de igual modo foram efectuadas reuniões com Directores de Serviço Distrital de Planeamento e Infra-estrutura (SDPI) bem como de Serviço Distrital de Actividades Econominas (SDAE) a nível do Distrito de Maganja da Costa, os quais mostraram-se interessados com esta intervenção.

Entretanto o SDPI para além de se ter mostrado satisfeito pela inciativa de resuatauração, também deu a conhecer a escassez de recursos e meios alternativos como parte de factores que fazem com que o Governo não consiga levar a cabo essas actividades, “temos quatro funcionários que tratam de questões ambientais, no entanto não temos motas para eles poderem visitar o campo. Ademais não dispomos de meios alternativos que nos possam ajudar a proteger o mangal, isso pode incluir a introdução de fogões

ecológicos e eficientes para reduzir a quantidade de lenha e carvão explorado pelas comunidades ou introduzir um programa de venda de créditos de carbono”, apontou Jamal Aberson, Director do SDPI da Maganja da Costa.

O projecto trienal ZIREF (2021 e 2024) conta com o financiamento do Canadian FoodGrains Bank e actualmente a ser implementado conjuntamente pela ADRA Moçambique em parceria com sua congérene ADRA Canadá.

A Campanha: Toda Criança. Em todo. Lugar na Escola produz um vídeo os direitos da criança, em Cabo Delgado

Inundações afectam mais de 6.478 pessoas no distrito de Boane, província de Maputo

Projecto ZIREF: Beneficiários partilham experiências e aprendizados da Escola na Machamba do Camponês

Projecto ZIREF: Restauração do Mangal de Nanene, na província da Zambézia

Está a ajudar a quebrar o ciclo da pobreza